quinta-feira, 7 de maio de 2009

Coronéis




De certa forma, além de nossos inimigos constantes, os homofóbicos de plantão, os gays ainda não conseguem conviver com iniciativas solidárias que abram portas e avancem no movimento.


Gays estão sempre nos surpreendendo. Se às vezes é para o bem; outras nem tanto. Produtos da homofobia, desprovidos de direitos fundamentais como o de ser quem é, de sentir desejo e amar quem quiser, sempre encontramos aqueles que vencem, que superam essas desvantagens e chegam lá. E o que deveria ser motivo de orgulho para todos nós, muitas vezes se transforma em argumento para reforçar o nosso recolhimento e desestimular a luta pública e coletiva pela comunidade GLBT.

Nessa semana me lembrei muito de um militante do movimento negro que foi convidado a assumir uma secretaria na administração municipal de uma cidade onde raramente as ações da Prefeitura se voltam para a garantia dos direitos humanos de seus cidadãos. Competente e engajado, não foi convidado a assumir o cargo por ser negro, mas pelo tanto que sua experiência poderia acrescentar nos objetivos traçados para as políticas sociais da cidade. Indiscutivelmente, sua nomeação fez com que houvesse uma aproximação saudável dos movimentos sociais com a Prefeitura e ninguém, nem o próprio secretário, se questionou se deveria deixar de fora, ou dar menos ênfase ao movimento negro, por ser negro. Os demais grupos não foram deixados de lado, mas a justiça da defesa das bandeiras dos afro descendentes finalmente se fez ouvir naquele espaço. O movimento negro teve as portas abertas, pode participar e combater com clareza as vulnerabilidades que o assola.

Lamentavelmente, esse comportamento é bem diferente quando se trata de alguns gays. Em contato recente com um desses vitoriosos, para nosso espanto, alem da ressalta inicial "não sou secretario porque sou veado", ouvimos essa semana de um gay assumido o triste argumento de que não seria ele a pessoa indicada para abrir as portas para os homossexuais, pois poderia ser interpretado como defensor de sua própria causa, de "puxar a brasa para sua sardinha". Nossas propostas foram recebidas com desconfiança e todos os argumentos contrários que julgávamos ter nos livrado por estarmos conversando com um gay, ganharam corpo e mais, legitimidade, pois partiu de um de nós. Tenho certeza que jamais ouviria um índio ou um negro em situação semelhante se recusar a ajudar o seu povo porque não fora nomeado por essa condição.

Do outro lado do Brasil, a situação não foi menos surpreendente e assistimos essa semana uma manifestação explicita de antigas táticas coronelistas serem colocadas em pratica por outro gay, exatamente quem deveria valorizar o novo e se esforçar para a promoção de mudanças. Diante da não aprovação de seu projeto num edital público, temeroso de ver exposta sua incompetência e perder o falso poder que mantêm atrelado a si um grupo de infelizes seguidores, buscou e encontrou formas de prejudicar aqueles que se saíram melhor que ele, numa lógica revanchista que reforça o bordão: se eu não consigo, ninguém mais vai conseguir. Esse comportamento dos já conhecidos coronéis-gays tem prejudicado muito o movimento GLBT nordestino, alem de fazer com que brilhantes pensadores daquela regiao tenham suas idéias sufocados e importantes passos deixem de nos levar adiante. Patético.

Para uma comunidade que não pode contar com seus membros quando estes chegam ao poder, que não consegue aplaudir a vitória do outro, que prefere nivelar por baixo e reinar entre os medíocres, os 40 anos de luta que comemoramos agora em 2009 terão que se multiplicar, pois nossos maiores inimigos ainda somos nós mesmos.

Camisinha sempre!

HOMOFOBIA E HETEROSSEXISMO


O que é a homofobia?

Homofobia = aversão e medo mórbido irracional, desproporcional persistente e repugnante da homossexualidade ou de se tornar homossexual. Mais especificamente a Homofobia caracteriza o medo e o resultante desprezo pelos homossexuais que alguns indivíduos sentem. Para muitas pessoas é fruto do medo de elas próprias serem homossexuais ou de que os outros pensem que o são. O termo é usado para descrever uma repulsa face às relações afetivas e sexuais entre pessoas do mesmo sexo, um ódio generalizado aos homossexuais e todos os aspectos do preconceito heterossexista e da discriminação anti-homossexual.

O que é o heterossexismo?
O termo "heterossexismo" não é familiar para muitos porque é relativamente recente. Relativamente há pouco tempo é que tem sido utilizado, juntamente com "sexismo" e "racismo", para nomear uma opressão paralela, que suprime os direitos das lésbicas, gays e bissexuais. Heterossexismo descreve uma atitude mental que primeiro categoriza para depois injustamente etiquetar como inferior todo um conjunto de cidadãos.
Numa sociedade heterossexista, a heterossexualidade é tida como normal e todas as pessoas são consideradas heterossexuais, salvo prova em contrário. O heterossexismo está institucionalizado nas nossas leis, órgãos de comunicação social, religiões e línguas. Tentativas de impôr a heterossexualidade como superior ou como única forma de sexualidade são uma violação dos direitos humanos, tal como o racismo e o sexismo, e devem ser desafiadas com igual determinação.

Manifestações de homofobia internizada:1. Negação da sua orientação sexual (do reconhecimento das suas atrações emocionais e sexuais) para si mesmo e perante os outros.
2. Tentativas de mudar a sua orientação sexual.
3. Sentir que nunca se é "suficientemente bom" (por vezes tendência para o "perfeccionismo").
4. Fraco sucesso escolar e/ou profissional; ou sucesso escolar e/ou profissional excepcional, como forma de ser aceito.
5. Baixa auto-estima e imagem negativa do próprio corpo.
6. Desprezo pelos membros mais "assumidos" e "óbvios" da comunidade Gay, Lésbica, Bissexual e Transgêneros.
7. Negação de que a homofobia, o heterossexismo, a bifobia, a transfobia, o sexismo são de fato problemas sociais sérios.
8. Desprezo por aqueles que não são como nós; e/ou desprezo por aqueles que se parecem conosco.
9. Projeção de preconceitos num outro grupo alvo (reforçado pelos preconceitos já existentes na sociedade).
10. Tentativas de passar por heterossexual, casando, por vezes, com alguém do sexo oposto para ganhar aprovação social ou na esperança de "se curar".
11. Controle contínuo dos seus comportamentos, maneirismos, crenças e idéias.
12. Fazer os outros rirem através de mímicas exageradas dos estereótipos negativos da sociedade.
13. Relutância em estar com ou em mostrar preocupação por crianças por medo de ser considerado "pedófilo".
14. Práticas sexuais não seguras e outros comportamentos destrutivos e de risco (incluindo riscos de gravidez e de ser infectado com HIV).
15. Separar sexo e amor e/ou medo de intimidade. Por vezes pouco ou nenhum desejo sexual e/ou celibato.
16. Desejo, tentativa e concretização de suicídio.

Crime de homofobia
Infelizmente, a legislação brasileira é omissa no que tange à discriminação baseada na orientação sexual do indivíduo. O que ocorre é a necessidade de uma formulação legal urgente, a fim de acabar, ou pelo menos, reprimir tanta violência praticada contra os homossexuais, justamente porque não há amparo legal. Violências físicas são comuns, levando o Brasil ao ranking de país mais violento do mundo quando o assunto é homossexualidade. Mas, além disso, há uma outra espécie de violência que deveria ser observada pelas autoridades: a violência religiosa. Muito membros de instituições religiosas adotam pontos de vista liberais e outros preferem defender posições mais conservadoras com relação à sexualidade. As discordâncias são profundas e parecem sem solução, pelo menos a curto prazo. A homofobia acaba ganhando espaço e muitos dos atos violentos praticados contra homossexuais se dá a partir da noção deturpada pela religião de que a homossexualidade deve ser destruída. Enquanto este conflito religioso sobre o que é e o que não é permitido, em termos de religiosidade, continuar sem solução, muito sofrimento e inúmeros suicídios ocorrerão dentro da comunidade homossexual. O "banimento" destes indivíduos permanecerá num nível altíssimo e inúmeras mortes e suicídios continuarão a ocorrer enquanto muitos religiosos insistirem a levar a aversão à homossexualidade que suas igrejas pregam e estendê-as como ódio pelos homossexuais. Acredita-se que esta "homofobia sistematizada" (senão dizer, "organizada") é, atualmente, responsável pelas mortes de jovens homossexuais num grau semelhante à responsabilidade pelo extermínio de bruxas e outros"heréticos" durante a Idade Média e a Renascença. É preciso observar, urgentemente, qual é o verdadeiro papel da religião quando o assunto é homossexualidade: Incitar o ódio e a violência ou amar o próximo como a si mesmo.

Por: Eduardo Moraes http://www.abalo.com.br

domingo, 3 de maio de 2009


"Os ventos que as vezes tiram algo que amamos, são os mesmos que trazem algo que aprendemos a amar...Por isso não devemos chorar pelo o que nos foi tirado e sim,aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo aquilo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre...

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Tudo que quero é alguém que não me queira, mas adore estar comigo, como um cigarro, o prazer de estar fumando com a ideia de não querer mais fumar, porém o prazer sempre fala mais alto.